Não é novidade que o mercado imobiliário tem sofrido muito nos últimos dois anos, após um período de euforia vivenciado em São Paulo.

As questões que envolvem o mercado imobiliário na Avenida Paulista acompanharam a movimentação de toda a metrópole, porém a região tem peculiaridades que devem ser destacadas.

Os negócios imobiliários que envolvem imóveis comerciais na avenida deixaram de merecer o rótulo do metro quadrado ranqueado entre os mais caros do país após a intensificação das manifestações a partir de 2013.

Enfrentando as dificuldades dos funcionários, de concentração no trabalho pelo barulho das manifestações, de locomoção e até mesmo por algum receio de violência, diversos escritórios saíram da região para se instalarem em pontos como os da Avenida Faria Lima e Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, tendo criado uma taxa de desocupação não antes vivenciada em outros períodos de crise econômica.

A oferta de pontos e escritórios comerciais também aumentou nos últimos dois anos pela abertura de shoppings e novos edifícios não residenciais, tendo proporcionado maior oferta que procura, ponto essencial para a desvalorização vivenciada pelos proprietários desses imóveis, tanto para negociação como para locação.

Os aspectos negativos listados tiveram contraponto e equilíbrio acertados pela localização e pelas facilidades e “glamour” que envolvem a região, o que trouxe algum alívio aos administradores e imobiliárias.

Diferente fenômeno ocorreu em relação aos imóveis residenciais, que em sua maioria mantém ocupação e uma população orgulhosa de sua avenida, e que mesmo enfrentando os problemas das manifestações e do fechamento da mesma aos domingos, resiste, luta pelo resgate da melhor conservação, manutenção e fiscalização das atividades desenvolvidas a céu aberto.

As vendas de imóveis residenciais diminuíram apenas em função da crise, e as locações tiveram o preço reavaliado por força do poder aquisitivo dos locatários, que em negociação com os proprietários chegaram a acordos negociados, porém não abaixo de avaliação real. Os ajustes e negociações expurgaram o excesso e a supervalorização sem deixar o preço justo.

 

Luis Alberto da Silva Vieira

 

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